25 de abril de 2019

{Resenha} VOX




 Titulo: Vox
 Autora: Christina Dalcher
 Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Sinopse:Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Oioioi meus queridos,

Hoje trago para vocês a resenha desse livro que estava sendo muito comentado e então resolvi pedir em parceria com a Editora Arqueiro.



"A tolerância não se estendia aos que estavam no comando."

VOX é uma distopia que se passa em um futuro próximo nos Estados Unidos onde as mulheres, até mesmo as crianças, são limitadas a falar apenas cem palavras ao dia, além de serem expulsas de seus trabalhos, podendo apenas fazer trabalhos domésticos.
Impactante não é? Desde o lançamento o livro me chamou a atenção por causa dessa premissa e também por causa do momento político em que vive a nossa nação verde e amarela.

No livro vamos conhecer a história dos McClellan, mais precisamente da Jean, uma das melhores neurocientistas do país que tem sua pesquisa sobre Afasia interrompida pelas forças do novo governo. Jean passa a viver sob as novas regras impostas, deixando seu trabalho de lado e vivendo em casa com seu marido Patrick, que apesar de trabalhar no governo não concorda com as medidas usadas, e seus quatro filhos, Steven - o filho mais velho-, os gêmeos Leo e Sam e a mais nova Sonia.

Numa tarde qualquer, Jean recebe a visita do reverendo Carl, principal responsável pelos assuntos políticos do país, chamando-a para fazer parte da equipe de pesquisas sobre a afasia, tudo isso porque o irmão do presidente sofreu um acidente e está em estado grave. A única solução que eles veem é chama-la para fazer parte da equipe para poder dar continuidade aos seus estudos sobre esse problema, tanto total liberdade para Jean ficar sem a pulseira que controla a quantidade diária de palavras.
Jean vê então uma oportunidade perfeita para tentar mudar as normas em vigor e dar voz para todas as mulheres novamente, mas é nessa empreitada que ela descobre mais do que ela imaginava.



"É assustador o que ela aprendeu a aceitar como normal."
A leitura me prendeu logo de início, não só pela escrita fluida da autora mas também pela semelhança do universo distópico com a realidade do país. Christina Dalcher criou um universo que pode ser descrito como uma perfeita crítica a sociedade machista em que vivemos, onde as mulheres são vistas apenas como alguém para apoiar o homem, cuidar da casa e reservar sua opinião apenas para si.

Outro ponto que também chamou bastante minha atenção, foi o fato de haver capítulos alternados entre o país com as novas regras e o país sem o estado opressor. Para isso a autora criou a Jackie, que era a melhor amiga da Jean nos tempos de faculdade.

Jackie é uma mulher extremamente proativa e imersa no mundo da política, ela sempre liderava palestras, passeatas e até mesmo protestos sobre o assunto. Procurando atrair sempre o interesse das pessoas às mudanças que estavam ocorrendo, ela chamava a Jean para as discussões, mas a mesma recusava achando o tema "chato demais" ou que não fosse fazer diferença.
E nos capítulos atuais, podemos perceber o quando a Jean se arrependeu de ter fechado os olhos para aquelas questões que naquela época, para ela, pareciam tão pequenas e tão insignificante.

A autora também tocou em um ponto importantíssimo, a mídia. Com todos os seus filhos sendo criados de formas iguais, podemos ver o quanto a mídia e o meio externo, principalmente a escola, molda o pensamento das crianças. Christina Dalcher deixa isso bem claro no relacionamento da Jean com seu filho mais velho Steve. Diariamente o filho mais velho da protagonista aparecia com um pensamento novo que era ensinado na escola se tornando uma pessoa que a Jean não reconhecia mais como filho. Steve diversas vezes, agia como os homens do governo menosprezando a própria mãe em casa e apoiando o fato dela não ter voz, olha um trechinho que relata um pouco sobre isso...

 "Às vezes eu refletia sobre isso, sobre como crianças podem se transformar em monstros, como aprendem que matar é certo e a opressão é justa, como em uma única geração o mundo pode mudar tanto até ficar irreconhecível"


Entre os arrependimentos do passado e a oportunidade de escrever um novo futuro, Jean é uma protagonista bem próxima da realidade, recheada de defeitos e qualidades, uma mulher forte que luta para mudar sua história e a vida de milhares de mulheres.




"Era isso que ele queria: mulheres e meninas docéis."

Apesar do livro ter todos esse pontos positivos e uma trama com uma critica ferrenha ao estado opressor, o final para mim não fez jus a obra criada. Além de tudo acontecer rápido demais no desfecho, a autora utilizou bastante o famoso "Deus ex machina" - artimanha que muitos autoras fazem para criar algo que é conveniente a história.
Por diversas vezes tive que reler o trecho que estava lendo, pois um acontecimento acontecia logo em cima do outro (e ouso dizer até que algumas cenas não se encaixaram).


Mas apesar do final corrido essa é uma leitura que indico e recomendo bastante, ela me fez abrir os olhos para muitas coisas e avaliar o que as minhas ações (ou no caso, a ausência delas) podem causar no futuro.


"O mal triunfa quando os homens bons não fazem nada."

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